terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Promoção: "O Filme Perfeito", por Jodi Picoult.

Jodi Picoult, uma das autoras norte-americanas mais importantes da atualidade, escreve, com sofisticação e delicadeza, uma história emocionante e dramática sobre amor e sofrimento. Um romance de tirar o fôlego!



"A antropóloga Cassie Barrett é uma mulher feliz quando se casa com o talentoso, rico e charmoso ator Alex Rivers. É definitivamente o casamento dos sonhos, um filme perfeito aos olhos da apaixonada esposa. Porém o passado de Alex o atormenta, tornando-o agressivo e violento, direcionando a Cassie toda a sua ira. Assim que ela descobre que está grávida, contra a vontade de seu marido, precisa encontrar um modo de proteger a criança que espera antes que seja tarde demais. Dividida entre o medo e a lembrança do amor, Cassie precisa resolver questões que nunca imaginou enfrentar: Como poderia partir? Mas, por outro lado, como poderia ficar?"

Juntamente com a Editora Planeta, o Sussurros Íntimos sorteará este livro entre os seus leitores. Para participar, basta seguir as regras abaixo:

- Os participantes deverão ser seguidores do blog;
- Nos comentários desta postagem, escreva: "Eu gostaria de participar do sorteio."
- Os comentários deverão constar um e-mail válido;
- O sorteio será feito pelo site Random.
- Poderá ser feito apenas um comentário por usuário, exceto se houver divulgação desta promoção. Neste caso, será permitida outra participação (outro comentário) se na mesma estiver contido o endereço eletrônico referente.
- O envio para o vencedor será feito sem quaisquer espécies de ônus, desde que seja fornecido o endereço correto. E-mails inválidos ou comentários que fugirem às normas serão desclassificados.
- A promoção terminará dia 07/12/2009, à meia-noite. O resultado será divulgado no dia seguinte.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Amor, a tortura benquista.



Olhares. Súplicas. Revezes de almas perturbadas pela própria vontade de libertar-se. Como por osmose nos é permitido sentir o real; suas janelas, ornadas manualmente por ouro, abrem-se, revelando a face do verdadeiro amor. Somos suficientemente dignos de vivê-lo? As dúvidas abatem-se, como chacais, sobre os corações divididos, incapacitando-os. Querem provar-lhes sua tolice que, no entanto, não existe. São apenas umas projeções inverossímeis, arraigadas de todo o mal da inveja. Apaixonemo-nos, entreguemos nosso corpo. E, por isso, protejamos nossas almas. Sem consciência, como podemos viver este deleite? Esses estados latentes, adormecidos, rugem para serem exaltados. Se fugimos ao cerne de nosso propósito, como colher seus frutos? Como amaldiçoar o que renegamos quando foge aos trilhos de nossa ordem? Somos eternizadores de momentos, atravessadores de oceanos repletos dos perigos que acabam por nos cercar. Se não cremos em nosso poder, se não ouvimos os gritos interiores, tornamo-nos suscetíveis e sujeitáveis às intempéries propositais. Nossos punhos recusam-se a abater nossos inimigos mais cruéis: os amados. Há defesa concebível para resistir a algo que nos é inerente e caro? Por amor matamos. E morremos, em inúmeras oportunidades. O que nos nutre acaba podando em doses maiores. O amor é faca de dois gumes, a força que aplicamos nos comprime e lacera. É rosa, que omite todo o seu lado pernicioso por meio de sua beleza. É o veneno ao qual somos dependentes, que compõe nossos tecidos e os destrói. Principalmente, é oxigênio, nos mantêm vivos e cobra o seu preço, envelhecendo-nos. Não podemos viver incólumes, sem qualquer traço ou resquício de paixão em nosso caminho. Os tendo, acompanha-nos a certeza da dor. Amar é aceitar a dor, torná-la amiga. Esmagar-lhe, liberando seu sumo. Bebê-lo. Escudar-nos com o seu próprio malefício e, desta forma, sofrer. Sofrer, sempre, e agradecer. Devemos sangrar, debulharmo-nos em lágrimas e sorrir. Alçar a cabeça e repuxar os lábios, tatuando em nossas testas que faríamos novamente o incabível para afirmar este sentimento que nos tortura e nos completa. Amei, logo vivi.

sábado, 28 de novembro de 2009

Anjos e demônios, arquétipos alegóricos de uma concepção idealista.



Anjos e demônios, arquétipos alegóricos de uma concepção idealista. Afinal, como podemos diferenciá-los se, em suma, representam o mesmo? O que é o anjo para o demônio a quem vence? Ou o demônio para o anjo que atormenta? Quais os critérios para negociarmos a validade de ambos? Como na maioria dos assuntos os princípios são coagidos, a mais valia é o interesse. Nos devotaremos aos demônios se desse modo atingirmos completamente os objetivos minuciosamente traçados por nós, ultrapassando qualquer faixa aceitável de maldade. Terrível? Absolutamente não, é algo intrínseco a nossa condição humana, abstemos-nos da razão o quanto nos for prático e rentável. Chama-se dissimulação, e é frutificada por ambas as incógnitas dessa equação variável. Como fazemos para suster as dúvidas? Não há modo, estas variáveis respondem por nomes diferentes a cada arremedo que ouvirem. Meus demônios são os seus anjos, nossos anjos são os demônios deles. Destrinchando chegamos à notória questão: o que é contado por humanos é valido? Se por discordâncias irrelevantes inventamos causos e maquilamos fatos, quem justificará nossas escolhas e, principalmente, nossas justiças? Somos uma faca de dois gumes; o bem e mal; luz e trevas, ou qualquer antítese suposta. Somos volúveis ao extremo, dissecamos angústias se necessário para nos divertimos, matamos por banalidades, apenas para fortificarmo-nos. Qual destes nos apetece mais: o bandido miserável ou policial honesto e assassino? Duas claras soluções para este enigma, duas projeções polares para o mesmo dilema. No fim somos levados a crer pelo pensamento dominante que o mal existe e nos é alheio. Esta escravização já não é auto-afirmativa? Não somos os demônios de nós mesmos que, gradativamente, consumimos o miolo desta sociedade esquizofrênica.? Bílis me vem à boca ao imaginar os extremistas defendendo suas afirmações. Um enorme asco me assoma, dúvidas me consola. Sou um eterno extraviado, convivendo com batalha interna onde não haverá vencedor. Destacarão-se os manipuladores oportunistas, os demais atestarão sua mediocridade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Redenção intransigente.



O quarto os encerra neste momento. As escadas rangem, suas estruturas lamentando-se do desenlace dos fatos. Os gritos agoniados, resignados, tornam-se absolutos neste universo íntimo. As paredes, antigas e desbotadas, selam infinitamente mais que móveis ou bens. São coniventes a este inferno que suportávamos desde que eu pudera me recordar, atenuando todas as súplicas que poderiam alcançar o exterior. Minha alma sangrava, como se também ferida pela faca que ocupava minhas mãos. Pus-me a fitar as fotografias emolduradas sobre as inúmeras mesinhas. Sorrisos, resumiam-se a sorrisos. E máscaras.  Enormes e onipresentes máscaras que ornavam nossas feições. Como se dessa maneira os rompimentos e divergências pudessem ser suturados. São feridas por demais  enodoadas e esculpidas às memórias para serem descartadas, ignoradas ou suprimidas apenas por vontade. Não sendo hipócrita, qual para que me moveria para rechaçar estes momentos reflexivos? Como o farei se eles sempre se sucedem, a cada vez mais destrutivos e menos espaçados? São frutos apodrecidos da ignorância de meu pai, mesclados à fragilidade de minha mãe e ao meu comodismo. Como pude me abster durante esses longos e tortuosos anos? Seria covardia? Ou apenas impotência provocada? Motivos não saldaram o problema, morto estou faz tempo. Morri ao permitir estas agressões desmedidas, constantes e bestiais. Morri ante as arremetidas de meu pai, à violação de minha mãe. Morri ao descobrir-me um dos execráveis crápulas a denegri-la, acompanhando frouxamente a vodka e ocultando a sombra de meu pai. Restava limpar as feridas após a crueldade. Sou tão insensível a ponto de continuar a fatiar meus legumes, fingindo a surdez? Talvez eu descobrisse a resposta se não houvesse apagado. Confesso que não me impediu. Ao ligar-me, banhava pacientemente minha lamina naquele sangue escarlate. A maciez era traiçoeira, esgotava-me imensamente. Deliciei-me ao estocar várias vezes tamanho ser odiável. Várias gargalhadas conseguiram escapar, acanhadas com os olhares piedosos e agradecidos de minha mãe. Estendi aquele lixo pelo chão e a abracei. Por longos minutos o mundo acabou, e ficáramos sós, compensando a felicidade que nos omitiram.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Um conto de amor com cheiro de Néctar de Flor."

Blogagem coletiva "Um conto de amor com cheiro de Néctar de Flor" proposta pela Rebeca e o Jota Cê, do blog "Néctar da Flor".



Era-lhe doloroso sentir aflorar o desejo e, por pudor, conter-se. Entregar-se ao amado naquele momento satisfaria todos os seus anseios mais íntimos, calaria todos os protestos interiores. Sua consciência, no entanto, clamava em barrar-lhe o prazer. Há algo errado com o que pretende? Por mais que reflita não pode se imaginar de outro modo. Deleitar-se nos braços daquele homem era o que disparava seu coração, dava-lhe o fulgor, corava-lhe as faces. Seus braços retesavam-se com o esforço de afastar-se; suas mãos agarravam-se mais firmemente àquele colarinho marcado com o seu batom. Para dominá-la travavam uma luta interna a dualidade do seu ser. Seria, de ambos os modos, arrebatada, entregue à satisfação ou, com a mesma intensidade, ao ócio. O ar torna-se fugidio, abandonando-a no ímpeto da decisão. Como que liberando toda a pressão com que fora suprimida solta um enorme gemido. Uma projeção selvagem da cópula ansiada. Fecha os olhos e firma-se nos ombros largos a sua frente. Espera, exausta, pela possessão. Seus lábios são surpreendidos com o fogo interior de seu amante, congelando ao contato carnal. Ardem brasas em seus corpos, impelindo-os à loucura. Os movimentos tornam-se secundários, alheios à experiência extracorpórea deste amor proibido. Os olhos, cerrados, serenos e compassivos, idealizam o momento, marcando como xilogravuras as imagens que captam vagamente. E sem o cortejo esperado, com uma atônita sobriedade, dá-se o frenesi. Não surgem rosas, não soam os pássaros. O céu, piedoso, firma-se completamente, não cede, não cai. As paredes fixam-se, caladas, a vigas da estrutura. Exsudam vontade. Mostram-se nus ao olhar de Deus, não se dignam ao perdão. Amar é ferida constante, aberta, a arder quando tocada. Amar é abrir-se ao outro, levantar-se entre multidões para servir a face aos açoites. Amar é abdicar a própria natureza, viver sem o temor ou a fixação do arrependimento. Perdeu-se em meios as suposições que fizera sobre a vida. Uma tornou-se intrínseca ao seu coração, completando-a: a certeza de que amar e privar-se logo após é uma existência infinitamente superior a daqueles covardes, mortos pelo medo de terem suas crenças abaladas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pelos desertos da Alma.



Cai a noite. Durmo como um tigre, olho aberto e olho cerrado. O luar acaricia minha face, sobressaltando-me. Fujo de qualquer lembrete do que provoquei, ao menor silêncio ponho-me a correr. As estrelas vagueiam pelo vazio, assistindo minha inútil tentativa de camuflagem. Ouço risadas incontroláveis por parte delas. A distância é suficiente para afastarmo-nos, portanto, relaxo. O ar dispersa os mais variados cheiros, interpretando-os como reações a mim. Meus uivos perdem-se ao longe, atravessando vidas, sem serem notados. A covardia assoma minha alma, legando seus traços vergonhosos. Abafo engasgos, suprimo suspiros, negligencio lágrimas. Tropeço nas decisões que cabem o meu destino como favorecido, despeço-me do real. Deslizo por estes mundos desconhecidos e que não domino, com a certeza solitária de caminhar à morte. Como no fim deste túnel de desilusões haveria retorno? É fácil dar guinadas em nossas existências quando nos propomos a tal, ao contrário disso somos renegados ao léu. Seres humanos foram constituídos para batalharem ao último pelo domínio do próprio caminho. Quem rema ao contrário é rechaçado por todos que o assistirem e sua derrota será lembrada por quem quiser espelhar o fracasso. Não é o que de fato almejava? Antes dos que sonham e se frustram, esse terminou onde planejou. A lógica, amarga, não penetra nos corações duros de quem não compreende o que tal atitude representou para o alguém. Neste simples arrastar de corpo e alma dirijo-me ao horizonte, pé ante pé, antes de avistar passantes vindo a mim. O que querem? Provocar-me apoplexia ao desagradar-me suas explicações? Raios! A solidão me acompanha, sua presença me preenche por completo. Ao virar-me e escalar muros invisíveis procuro esconder-me de mim mesmo. Neste paradoxo estaco, agacho, espero. Tampo os ouvidos àquelas gargalhadas zombeteiras. Penso, planejo. Deito-me com a face esquerda ao chão, ignorando a areia abundante. Permaneço até que as sombras encorpem, não importando com o tempo que se gaste. Olham em meus olhos, puxam-me pelos antebraços. Arrastam-me novamente à força, certamente me prenderão àquela Bastilha. O que me consome e enoja é saber que não fui capaz de salvar a mim mesmo. Acreditar que não posso livrar-me dessas garras invisíveis que me detêm. O fogo que alimenta o meu espírito clama que eu rasgue meu rosto, lacere-o até destruir a mascara que o encerra. Por medo de manter aparências não o faço. Literalmente. Ao perceber que sangro procuro aumentar a ferida, somente para distrair-me dos carrascos que me cercam.

sábado, 21 de novembro de 2009

Ao Dahi, este tesouro que me esgota.

Que ouça o que lhe rogo, não nutra minhas preocupações além do que posso suportar. Cuide-se.
Sempre existirá um espaço para você em meus pensamentos, Dahi.



Sinto a necessidade de me extravasar por essas linhas. Sombras suprimem meu peito, a ponto de eu clamar angustiado por ar, empapuçado pelo suor, exausto. Maus fluidos correm pelo meu corpo, desviando minha atenção para os caminhos tortuosos e esquálidos da frustração. Temo pela vida dos que me circundam, negligenciando e pressionando a minha própria. A certeza do infortúnio me ronda, embora eu não reconheça a face que ostente. Descarrego avisos ao mundo, sem poder salientar a quem. A culpa, prematura, assenta-se sobre meus ombros, cobrindo-os com um manto negro, pesando-lhes como um enorme fardo. Será que determino a aflição dos outros?  Estou selando-lhes com meus anseios infundados? Não sei o que cogitar, firmar os pensamentos. Devo esquecer o que me perturba? Ou esmiuçar, procurando solucionar? Minhas forças são consumidas pelo planejamento, à ação resta o ócio. Esta inércia me carcome, inutilizando-me. Os pensamentos, indiferentes a minha condição, preenchem o meu âmago, inundando-me com a revolta pela impotência adquirida. Como proceder? Cruzar os braços? Impedir o avanço alheio? Calar-me?  Como me abdicar de proteger os amigos, que eu tanto amo? É impossível não fazê-lo, seria como me matar dolorosamente, parte a parte. Inúmeras perfurações à faca em meu peito, inúmeras marcas a fogo em minha face. Minhas hemorragias jorram, lembrando-se somente de escoar o que me nutre, mantendo-me vivo. Restarei para assistir o fim de todo este espetáculo? Eu, o palhaço equilibrista, porei fim ao circo sinuoso de nossas vidas? Ou o manterei para todo o sempre, prendendo-me a uma realidade abrasadora e insuportável de semivivência? Espero anunciar, com toda a pompa, que de fato sobreveio o fim. E em letras colossais após os créditos possam surgir o “The End” para o qual rezo e mentalizo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Memórias inglórias.



A televisão brilha. Exibe, ufana, o filme de nossa vida. Decido encostar-me à poltrona, dar-lhe a devida atenção. Rapidamente os momentos transcendem-se, dando-me a ilusão de pertencer a você novamente. Intransigentes, retornam as lágrimas, decidas a revivê-la. Retorno aos seus olhos, perdendo-me no vasto oceano de sua alma. Partes minhas, há muito perdidas, clamam que eu as resgate. Temeroso, as ignoro. Inicia-se uma música, mesclando-se ao sofrimento já palpável. Desfia com seus acordes o trançado caprichoso que me acomete, desfazendo as teias que me prendem ao lugar. É a sua canção favorita, coreógrafa em muitos momentos por você, somente de calcinhas, por nosso quarto. Arrasto-me até lá. Sob os meus paletós encontro um enorme e fluido vestido vermelho, há muito abandonado. Não hesito em abraçá-lo, afundar meu rosto na seda macia, atrelar-se novamente na seda macia que cobria gentilmente seus seios. Algo me força a orientação. Estaco, observando o tesouro que carrego. Inúmeras cartas deslizam de suas bainhas, indeléveis ao assoalho áspero. Recolho-as, ávido, ansioso para destravar-lhes o conteúdo. O tempo lhes castigou, marcando aqui e ali pela ferrugem, amarelando impiedosamente. “O amor que nos une se sobreporá ao que idealizamos. Sejamos fortes, ou sucumbiremos em nossa própria paixão...” Versos delicadamente gravados à mão completam as páginas. Datas imemoráveis vão sendo, aos poucos, redescobertas. Furta o passado para que o presente não o fustigue. “Ao meu amor serei fiel. Infinitamente mais que à minha vida”.Soluços esparramam-se aos ventos, abrangendo todo o espaço disponível do cômodo. Fotos revelam-se neste interem, tão absolutas quando a majestade que as decora. Corro à cabeceira e esvazio o porta-retratos, rapidamente preenchendo-o com aquele retrato. Aperta-o ao peito e joga-se a cama. A liberdade lhe é negada. Àquela mulher será escravo indefinidamente, enquanto a saúde lhe aprouver. Cerra os olhos e sonha. Valsam tranqüilos, em meio às nuvens sempre azuis. Incauto, não percebe a tempestade que se aproxima.